No g1, candidatos ao Senado por SP discutem infiltração do crime organizado, anomalias nas relações entre Poderes e emendas parlamentares
🇧🇷 Brasil · Política · hace 3 h · Fuente: G1 Brasil

Simone Tebet, Marina Silva, Soninha Francine e Geraldo Rufino no debate com candidatos ao Senado pelo g1 — Foto: Bob Paulino/Globo
O g1 promoveu nesta sexta-feira (25) um debate com candidatos ao Senado por São Paulo. Com mediação da jornalista Ana Paula Campos, o encontro, realizado em estúdio na redação da TV Globo na capital paulista, será transmitido no site e nos perfis do portal no YouTube, no TikTok e no Instagram.
Participam do debate Geraldo Rufino (Podemos), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e Soninha Francine (Cidadania). Os candidatos André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) haviam confirmado presença, mas anunciaram nesta que não iriam participar. Os lugares permanecerão vazios.
Pela primeira vez, o g1 realiza uma série de debates com candidatos ao Senado, ampliando o espaço para a discussão de propostas, destacando a importância decisiva da eleição para a composição da Casa e para a governabilidade do país.
Os encontros aconteceram desde o início deste mês também em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Pernambuco, além das afiliadas de Ceará, Piauí, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ( veja mais abaixo ).
A iniciativa busca ampliar o espaço para a discussão de propostas e contribuir para que os eleitores conheçam os concorrentes. Em outubro, o eleitor poderá votar em dois nomes para o Senado.
Meio ambiente Crime organizado Relação entre Poderes Trabalho e emprego Educação Emendas parlamentares Considerações finais
Marina Silva defendeu investimentos para adaptar 177 municípios a eventos extremos; Simone Tebet disse que concessão da Enel precisa ser revista e até extinta; Soninha Francine falou em segurança hídrica e Geraldo Rufino priorizou saneamento.
Soninha falou em "plantar água" como sugestão para recuperar nascentes. "A gente tem os ataques às margens dos rios, seja porque são levadas pelas enxurradas por um desmatamento em outro lugar ou porque são ocupadas indevidamente por atividades humanas. Tem a poluição ou pior, a contaminação dos rios. Então o problema gravíssimo e a gente tem, como se diz hoje em dia, de plantar água."
Simone Tebet (PSB) defendeu três frentes para o meio ambiente, “é importante nós lembrarmos que meio ambiente anda junto com o desenvolvimento, indústria e meio ambiente". Também citou que a "Enel precisa sair do estado de São Paulo, e a mesma coisa em relação à Sabesp". "Eu sou a favor de privatizações, mas quando elas são bem-feitas. Neste caso, é preciso rever essas cláusulas para garantir serviços de qualidade para as pessoas."
Para Marina, "meio ambiente é a base de tudo, e pensar em meio ambiente é pensar em desenvolvimento, pensar em ciência, tecnologia, inovação, emprego e renda para as pessoas". A candidata também informou que "177 municípios paulistas são vulneráveis às mudanças do clima", atingindo cerca de 1 milhão de habitantes. "Em relação à questão do enfrentamento da emergência climática, são 177 municípios que são vulneráveis, segundo o Cemaden. Precisam de obras de encosta de drenagem. Muitas pessoas vivem em áreas de alto risco. Essas pessoas precisam de moradia digna e vou trabalhar muito no Senado para que essas pessoas tenham acesso à moradia."
O candidato Geraldo Rufino (Podemos) citou que é preciso preocupação em retirar pessoas em situação de vulnerabilidade em favelas: "Nós temos um problema crônico que está acontecendo aqui agora nas periferias favela comunidade, as palafitas, onde as crianças convivem com rato, tudo com problema de saneamento, saneamento básico como com- complementando que a Simone não conseguiu completar o Alto Tietê tem um problema cara 80% de certos municípios 80% do esgoto não tratado. Isso está mexendo com a saúde das pessoas. Isso está acabando com famílias, então.”
Tebet afirmou que "o PCC já está dentro da Prefeitura de São Paulo", ao citar as suspeitas investigadas de infiltração da facção no transporte coletivo da capital. Ela também disse que há suspeitas de envolvimento com o PCC dentro da estrutura da Segurança Pública estadual e alertou para o avanço de milícias em São Paulo.
A candidata pontuou que "São Paulo não pode virar um Rio de Janeiro" no sentido de não permitir que a facção se infiltre no poder público. Simone também citou a necessidade do enfrentamento às milícias e lamentou a não participação do candidato Guilherme Derrite, que é ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo.
E lamentou as suspeitas de que ministros do STF teriam contratos milionários com Daniel Vorcaro. "O Senado vai ter que fazer o que, lamentavelmente, o Supremo, infelizmente, não vai fazer, que é defender os interesses públicos, o dinheiro do povo brasileiro e colocar ordem nessa bagunça toda, moralizando e punindo a corrupção no Brasil".
Marina defendeu o bloqueio de bens e o desmonte de empresas usadas pelo crime organizado e afirmou que é preciso combater a "promiscuidade entre poder público e criminosos".
Soninha defendeu inteligência e integração entre forças de segurança e órgãos de controle e disse que a corrupção de agentes públicos dificulta o combate às facções.
Geraldo Rufino afirmou que, além de sufocar financeiramente as organizações criminosas, é preciso chegar às comunidades antes delas para impedir o recrutamento de crianças e adolescentes. "Nós precisamos chegar na comunidade, nas favelas, periferias, antes do crime, porque senão eles serão recrutados pelo crime e começa tudo de novo."
Soninha Francine lamentou o fato de que, muitas vezes, a relação entre os Poderes Executivo e Legislativo é de uma "verdadeira guerra", criticou o fato de que os legisladores usem seus votos como moeda de troca para receber mais recursos da União e cargos no governo e condenou juízes e ministros que atuam politicamente.
Simone Tebet afirmou que a relação entre os poderes "virou caso de polícia, de cadeia, de conivência com o crime" e destacou a necessidade de uma reforma no Poder Judiciário com mandato, idade mínima, controle de decisões monocráticas e paridade de gênero no STF. A candidata também criticou o fato de juízes recebem salários acima do teto constitucional. Reforma no Legislativo também foi um tópico abordado por Tebet, que defendeu a diminuição do número de parlamentares e redução de gastos, sobretudo em relação às emendas parlamentares.
Marina Silva defendeu a autonomia entre os poderes, pontuou que isso já está previsto na Constituição Federal, mas que não acontece na prática, já que existem recorrentes interferências entre os órgãos. A candidata também pede uma reforma do Judiciário, a criação de um estatuto de ética para os ministros e uma reforma política.
Geraldo Rufino enfatizou que os senadores têm o poder necessário para "colocar os poderes de volta nos trilhos", mas que muitos parlamentares agem de acordo com interesses de seus grupos políticos, e sinalizou a necessidade de renovação dessa classe política.
Geraldo Rufino disse que é preciso uma reforma no Senado. "O Senado precisa ter gente com coragem, inclusive de de avaliar e de punir eles mesmos, porque não tem sentido ter hoje aquele presidente que nós temos no Senado, colocando de base o tapete como se ele fosse o dono dos Poderes, ou seja, o dono da instituição. Então, na realidade, nós realmente precisamos fazer reforma no Senado, rever o que o Senado tem internamente para poder voltar a ter realmente democracia."
Tebet defendeu o fim da escala 6x1 e a proteção para trabalhadores de aplicativos - “Aqueles que querem trabalhar na informalidade precisam de proteção”. Ao mesmo tempo, disse que pequenas empresas deveriam receber desoneração da folha para absorver os custos da alteração. “O Brasil não vai quebrar com o fim da escala seis por um.”
Ela também sugeriu regras contra excessos das plataformas e mecanismos para garantir contribuição previdenciária e aposentadoria. “Descanso remunerado não é inimigo da economia, é produtividade.”
Soninha contestou a forma como os dados de desemprego são apresentados e disse que atividades muito precárias entram na estatística como ocupação. Ela citou como exemplos estátuas vivas, limpadores de para-brisa e guardadores de carros. “A gente precisa olhar o cenário do mundo do trabalho no Brasil não com tanto otimismo.”
Depois, defendeu mais flexibilidade nas regras do emprego formal, argumentando que parte dos trabalhadores escolhe a informalidade pela liberdade de horários, apesar da perda de direitos como férias remuneradas e aposentadoria. “A gente precisa discutir seriamente no Senado a possibilidade de o emprego formal ser um pouco mais flexível para que a informalidade não seja tão sedutora para toda uma geração.”
Marina destacou a redução da taxa de desemprego durante o governo Lula e afirmou que o próximo passo deve ser melhorar a qualidade e a produtividade dos postos de trabalho. Ela também defendeu políticas específicas para mulheres e jovens, com acesso a financiamento, assistência técnica e proteção para quem empreende.
“Todo o esforço que está sendo feito pelo governo do presidente Lula é para que a gente tenha emprego de qualidade, maior produtividade, porque é isso que dá a perspectiva de futuro.”
Afirmou ainda que as políticas de geração de emprego não devem depender apenas do poder público. “É assim que a gente vai combater o desemprego, aumentando as oportunidades para que não seja só o Estado empregador.”
Fuente: G1 Brasil
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